Estava eu buscando em internet o significado de uma frase em sardo que aparece em uma canção que estava a escutar e, casualmente, como se acham as cousas em internet, fui dar com um caso que me fez reflectir um pouco.
Pois a história é que Salvatore Zedda, um operário sardo, tinha problemas com o correio electrónico porque não lhe davam mandado a nova senha. Então o homem telefonou para solicitá-la e tentou falar em um italiano que nunca soubera falar. Os que o atenderam, impressionados polo seu forte sotaque e a quantidade de palavras sardas que empregava, decidiram gravar a chamada e publicá-la em internet. O arquivo de som virou em um sucesso e mesmo soou nas discotecas sardas. Os colonialistas italianos a rir e os colonizados sardos, querendo ser como os seus colonizadores, também a rir.
Então lembrei aquele famoso José Tojeiro, o da «drogha no colacao» do qual também riram todos os colonialistas espanhois e os colonizados galegos. E sobre o qual Def Con Dos (um dos membros era um colonizado viguês) fizera uma canção.
E é que a desgraça alheia é sempre divertida para a gente de espírito pequeno, mas estou seguro de que se o sotaque do Tojeiro fosse de Burgos não teria saído na televisão. E se o sotaque do Zedda fosse de Milão, mesmo que falasse em milanês e nem tentasse o italiano, também não teria sido gravada a chamada.
Iván